• Bruna Alencar

Musculação na Infância e Adolescência: Verdades e Mitos




Não foram apenas uma ou duas vezes que pais vieram me falar que disseram a eles que seus filhos ainda não poderiam praticar musculação, porque atrapalharia seu crescimento. O caso é polêmico, mas calma, vou tentar explicar um pouco isso para você, porque preciso muito falar sobre isto.

Vamos lá?


Para muito autores a infância é dada dos zero aos 10 anos de idade, nesta fase o mundo será construído para as crianças em sua forma, fundamentos básicos serão adquiridos, estabilizados e diversificados como o engatilhar, andar, correr, saltar, chutar, e por aí vai. Como estas coisas serão desenvolvidas dependerá do meio em que ela está vivendo, dos estímulos que as pessoas ao redor lhe dão.


O professor e pesquisador Barbanti em 1979 definiu força muscular como:


a capacidade de exercer tensão muscular contra uma resistência, envolvendo fatores mecânicos e fisiológicos que determinam a força em algum movimento particular.


Deu para entender?

Mas então, especificando agora o que queremos saber, e a musculação onde entra nessa?

Devemos entender antes que treinamento de força é diferente de treinamento de Hipertrofia, que é aquele para ficar musculosos e tal.

O que atrapalharia o crescimento de uma criança seria o alto volume do treinamento e o impacto constante em suas articulações, o que em um treinamento resistido (musculação) não ocorre, ao contrário da maioria das modalidades da ginástica olímpica.


Já a hipertrofia muscular NATURAL, que ocorre no período de crescimento pode ser favorecida através da prática supervisionada de um programa de treinamento de musculação, entre este benefício tem também:


  • Aumento da secreção de hormônios anabólicos e melhora do metabolismo basal - ou seja, favorecendo no crescimento da criança e adolescente;

  • Aumento de força muscular;

  • Menores taxas de lesões nos esportes praticados na escola, assim como menor risco de fraturas;

  • Aumento do índice de força nos ossos;

  • Melhora da autoestima - importantíssimo em uma época que a depressão está atingindo milhares de jovens;

  • Interesse no condicionamento físico, o que faz com que cresça com o prazer em estar sempre ativo fisicamente. Consequentemente se mantendo saudável na vida adulta;

  • Melhora no rendimento escolar.

Logo, crianças podem sim treinar musculação, mas a forma será diferente a de um adulto, pois, os objetivos são diferentes. Para uma criança não há necessidade de buscar estética e hipertrofia forçada - como a menina na imagem a esquerda -. O objetivo é sempre a saúde e como um complemento ao seu repertório motor. Então, não fique surpreso quando ver uma criança na academia ou se perguntando o que ela está fazendo nela, ela está se tornando um cidadão saudável.


Concordo perfeitamente que para esta faixa etária o mais adequado são outros tipos de atividades, aquelas que proporcionam inúmeros movimentos como jogos de recreação e iniciação esportiva de forma lúdica, mas nada impede da musculação entrar como complemento, como já disse acima. E outra, muitas vezes as aulas de educação física na escola, infelizmente são deficitárias no Brasil, não proporcionando o tempo necessário recomendado por semana segundo a Organização Mundial da Saúde, deixando espaço para os jogos eletrônicos, computador e televisão tomarem conta da saúde dessas crianças e assim dando espaço para a doença chamada Obesidade e com isto outras doenças, como diabetes tipo 2 (Clica aqui para ler uma publicação parecida).

Lembre-se sempre de ter ótimas referências do profissional de educação física, aqueles que buscam estar sempre atualizados e que tenha capacitações na área de atividade física para crianças e adolescentes.


Espero que tenha sido útil este artigo. Faça com que conhecimentos como este chegue até seu amigos compartilhando.


Até



REFERÊNCIAS:


AMER, N. M.; MODESTO, M. J.; DOS SANTOS, C. D.; et al. Resistance exercise alone improves muscle strength in growth hormone deficient males in the transition phase. Journal of Pediatric Endocrinology and Metabolism, v. 31, n. 8, p. 887–894, 2018. Walter de Gruyter GmbH.

MYERS, A. M.; BEAM, N. W.; FAKHOURY, J. D. Resistance training for children and adolescents. Translational Pediatrics, 1. Jul. 2017. AME Publishing Company.

PEDROSA, O. P.; PINHO, S. T. DE; DUARTE, J. S.; DA SILVA, A. C. Treinamento resistido aplicado em escolares sem o uso de equipamentos em uma escola da cidade de Porto Velho - RO | Anais seminário nacional educa. Disponível em: <http://www.periodicos.unir.br/index.php/semanaeduca/article/view/150>.

STRACCIOLINI, A.; HANSON, E.; KIEFER, A. W.; MYER, G. D.; FAIGENBAUM, A. D. Resistance Training for Pediatric Female Dancers. Journal of dance medicine & science : official publication of the International Association for Dance Medicine & Science, v. 20, n. 2, p. 64–71, 2016.

RAMSEY, J.A., Blimkie, C.J.R, Smith, K., Garner, S., MacDougall, J.D., and Sale, D.G. 1990. Strength training effects in pubescent boys. Medicine and Science in Sports and Exercise 22: 605-614.

BARBANTI, V. S. Teoria e prática do treinamento desportivo. São Paulo, EDUSP,1979.

RIEWALD S. Treinamento de Força para jovens atletas. NSCA, 2005.

MANOEL, Edison de Jesus; KOKUBUN, Eduardo; TANI, Go; PROENÇA, José Elias de. Educação Física Escolar: Fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. Editora da Universidade de São Paulo, 1988.

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